Site Meter Três e eu: Dava um livro
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28 de fevereiro de 2012

Resumo do resumo. Se é que eu consigo.

Olha só como vocês, minhas QUATRO leitoras (tá bom assim, Keylla??? hahaha), são "sortudas": eu trabalho diretamente em rede e dependo dela pra tudo. Só que, justo hoje, resolveram fazer uma manutenção. Exatamente neste momento. Ou seja, não há nada que eu possa fazer agora, a não ser abrir o bloco de notas e começar a rascunhar um post até ela voltar. É um resumo das férias. Então 'bora começar, antes que volte, hahaha! 

(É claro que foi só terminar de escrever isso que voltou... hahaha! Ok, fico até mais tarde pra escrever...)
Dezembro:
Ano Novo
Ah, como eu adoro dezembro!!! Fora as festas e as férias, tem sempre a expectativa por elas. Não dizem que o melhor da festa é esperar por ela? Pois é. Enfeitar árvore de Natal, planejar viagem, comprar presentes, arrumar as malas... tudo faz parte. E, por mais chato que alguns desses momentos possam parecer, no fim das contas posso dizer que amo muito tudo isso (mas não amo McDonalds!). Passamos a semana inteirinha entre Natal e Ano Novo na casa da minha mãe, foi delicioso. Os meninos se divertiram muito com os primos e eu recebi visita das melhores amigas do mundo. Não tem nada melhor! 
Janeiro: 
No dia 2, segunda, logo de manhãzinha, começava nossa viagem de férias. Primeira vez dos meninos fora do roteiro "casa da vovó". Três diárias reservadas no hotel, um GPS e uma mala, e lá fomos nós, com a cara e a coragem, conhecer Caldas Novas/GO. Foi tudo muito gostoso, até as cansativas 7 horas de viagem (porque já estávamos na minha mãe, que é caminho). Tanto que, chegando lá, dei uma choradinha pro gerente e conseguimos mais uma diária quase pelo preço que pagamos na promoção (comprei as três em pacote de compra coletiva, foi super barato!). O hotel só tinha café da manhã (exatamente igual todos os dias), não tinha nem outra opção de refeição, mas era muito aconchegante. E os hóspedes se sentem à vontade para comprar ou fazer comida e comer ali no apartamento mesmo. E sem aquela chatice de frigobar, que enche os olhos das crianças e tem que ficar conferindo depois. Era geladeira mesmo, super prático. Na terça, dia seguinte à chegada, fomos conhecer um parque que me foi indicado ali mesmo, na recepção do hotel. Tínhamos ido passear no centro da cidade e ganhamos um cupom que daria direito à entrada por 5 reais cada adulto, com a condição de assistirmos a uma palestra (chatésima) de 50 minutos antes. O que a gente não faz pra economizar 90 reais??? Mas o parque era maravilhoso e nos divertimos à beça. Só teve um problema: esquecemos de passar protetor solar (tava frio e chuvoso quando chegamos) e estávamos quase cozidos no outro dia... Os meninos me surpreenderam, foram em toboáguas altíssimos que eu mesma achei que não teria coragem de ir. Sem exagero, devo ter subido as escadas pelo menos umas 10 vezes. Na saída compramos ingresso para outro parque e o plano era ir nele na quarta e na Pousada do Rio Quente, a famosona e cara, na quinta, que era aniversário do marido e ele não pagaria - pão-dura, eu??? Pão-dura não, econômica, hahaha! Só que no dia seguinte estávamos completamente exaustos e ardidos, resolvemos ficar no hotel e ir naquele que já tínhamos comprado na quinta. Que decepção! Chegamos lá e vimos que, justo naquele dia, as águas estariam frias pra medição de não sei o que. Ficamos meio revoltados e eu já queria meu dinheiro de volta quando soube que todos os parques estariam assim, mas que a água quente voltaria logo. Resolvemos ficar. Mas o parque era tão ruim que almoçamos (estava incluso no ingresso) e fomos embora. Ruim do tipo  atrações que fecham pra almoço, piscina de criança cheia de insetos (até aranha tinha), escorregador que não escorrega, cheiro de xixi nas escadas do toboágua e falta de placas e avisos de instruções ANTES de você subir neles (subi uns 15 metros em caracol e descobri que o Fá não tinha altura pra descer, no outro descobri que eu tô gordinha demais e o brinquedo só aguenta até 70kg, hohohoho). Sem contar a bomba do toboágua que queimou quase na vez do marido, que estava havia um tempão na fila. No fim das contas, aproveitamos muito mais no hotel, porque os meninos ficaram na piscina e eu, que não aguentava mais o sol, fiquei perto deles, mas navegando na internet, hehe. Depois de tudo isso (e de aguentar o Thierry falando quase sem parar nas 7 horas da viagem de volta), a ideia era passar mais 2 ou 3 dias na casa da minha mãe. Mas já estávamos quase no 4º dia quando eu resolvi me jogar da escada e torcer bem feio meu pé. A foto aí do lado é do dia seguinte, quando ainda não estava nem roxo. Depois de uma hora no hospital (isso porque já era mais de meia-noite e porque não fiz raio-x, pq não tinha), um "enfaixado" mal-feito, um enfermeiro dorminhoco (na hora do plantão) e um remédio pra dor que não fez nem cosquinha, eu resolvi ficar a semana toda por lá. Casa de mãe, sabe como é, a gente vai ficando, ficando... até que vc se toca que já deu. Meus sobrinhos ficaram com a gente uns dias, já que a mãe os abandonou (muahahaha! Sacanagem, aposto que ela chorou mais que eles, que não derramaram nenhuma lagriminha! muahahaha de novo!) e foi muito divertido. No fim, voltei pra casa e só tive uma semaninha pra curtir as férias antes de voltar ao trabalho. E, ainda com uma baita dor no pé, não consegui fazer tudo o que eu queria nas férias. Mas, com tudo isso, posso dizer que foi uma das mais divertidas das nossas vidas. Já tô pensando nas próximas...

Fevereiro:
A gente volta ao trabalho, as crianças voltam às aulas e a vida volta à rotina. Já está na hora de começar a pensar, ainda que vagamente, no tema da festa do Fá, já que falta pouco mais de 3 meses. Ele anda numa fase "super-herói", embora não assista esse tipo de desenho/programa. Vira e mexe fala que é ninja, gosta de brincar de lutinha com o irmão, adora se vestir de Power Ranger. Mas eu acho que ainda não é por aí o tema da festa. Já falou em "Power Rangers contra ninja" (ideia dele), hoje já falou em Agente Urso, depois falou em festa junina, uma ideia que dei semana passada, já que a festa será em junho e eu tenho mesmo vontade de fazer algo do tipo. Mas antes disso preciso começar a pensar na Páscoa. Quero fazer os ovos de colher como os do ano passado, que renderam um bom dinheirinho. Como eu tenho tempo (ano passado tivemos a ideia uns 15 dias antes da Páscoa e foi a maior correria), quero fazer um cartaz mais bonitinho, procurar uma embalagem com mais calma, essas coisas. Também estou planejando fazer mais uma festa esse ano, já que eu e marido comemoraremos 10 anos de casados. 10 anos de casados!!! Isso é pra comemorar, né não? Resta saber se teremos dinheiro pra tanto... Enquanto não sei, vamos planejando que sonhar não custa nada. Mas agora chega de falar (será que alguém aguentou ler tudo??? hahaha), tenho que ir pra casa fazer um bolo que recebi de encomenda. É o bolo igual ao que fiz pra comemorar o aniversário do marido só que, em vez de cerveja será Coca Zero. Será que vai dar certo??? Torçam aí!


Aniversário do meu amor
 
Bolo de nozes. O o povo gostou.


1 de dezembro de 2011

Bloggerbook.com

Acho que todo mundo gosta de receber elogios, né? Eu não sou diferente, claro! Sempre fico feliz com os comentários DAZAMIGA aqui, e ontem fiquei bem feliz com os comentários de duas primas (uma minha, uma do marido) após mais uma bobagem que escrevi no Facebook. Uma delas sugeriu que eu escrevesse um livro, mas lógico que não chega a tanto. Mas aí eu me dei conta de uma coisa. Todo mundo sabe que eu tenho blog há muito tempo - esse mês fará 9 anos (!!!) -  e que eu parei e voltei várias vezes, a maioria delas por preguiça ou falta de tempo. Por esse mesmo motivo, faz um tempão que eu não escrevo aqui, mas nunca parei de postar as bobagens no Facebook. Só que tudo isso vai se perder num espaço muito pequeno de tempo. Então eu resolvi que, sempre que eu puder, vou colar as mesmas besteiras aqui para que os meninos possam ler e, quem sabe, rir deles mesmos um dia. Então, por favor, não me matem se vocês acabarem lendo duas vezes a mesma história. É pelo bem das minhas criancinhas!!! :D

24 de agosto de 2011

Há 8 anos, direto do túnel do tempo

E daí que me deu uma vontade louca de rever posts antigos do meu blog... Pra quem não sabe, minha vida bloguística começou em 17/12/2002, quando eu "tentava" engravidar do Thierry (mas já estava grávida e não sabia!!!). Houve uma época em que a Globo.com, onde ficava alojado o Blogger Brasil (e meu blog) ameaçou deletar blogs e eu corri salvar minhas postagens, deletando parte do que já havia salvo. Nesse tempo houve muitas indas e vindas, meses sem postar ou com postagens escassas, retornos empolgados e novas desistências (até outubro passado, quando redescobri a vontade de postar e mudei pro blogger.com, muito melhor que o Blogger Brasil). Fiz e desfiz várias amizades através do blog, tive épocas de querer muitas visitas e comentários, mas com o tempo fui descobrindo o que realmente importa e apenas as amizades verdadeiras sobreviveram ao tempo (né, Keylla? :D).

Mas o que eu queria mesmo era saber o que eu tinha escrito há exatos 8 anos. Não tem postagem no dia 24, mas como a ideia surgiu ontem, tá valendo. Claro, ri e chorei quando li (a sensação é engraçada, mas ainda me parte o coração...)! É muito bom lembrar!!!

(o blog era azul, por isso a postagem veio em azul quando copiei. Nem combina com esse, mas é lógico que não vou mudar!)

"Sábado, Agosto 23, 2003
Oi, gente! Obrigada pelos recadinhos que vocês têm deixado, mas eu vou visitá-las uma outra hora, estou cansadinha e só vim aqui avisar que o Thi ainda não nasceu, não... Ontem passei a manhã quase toda no hospital, pois ele estava dormindo na monitoragem e a médica achou melhor passar pela emergência pra fazer outros exames (de toque e amnioscopia). No ultrassom ele estava muito fofo, conseguimos ver o rostinho dele, ai, que lindo!!! Ele já está com aproximadamente 3,789kg, mas segundo o médico está bom pelo meu tamanho. Se ele demorar muito acho que chega nos 4kg, coitada de mim!!! Mas o médico que fez o toque acha que, pela experiência dele, não demora. Não tem como prever, mas 15 dias não demora não... Bom, tomara! Saímos de lá e fomos em Osasco comprar um celular novo, aliás, trocamos os nossos, pois já estavam velhos. À noite tive que voltar no hospital porque o Thierry não mexia e médico mandou eu voltar se tivesse qualquer dúvida, pois agora ele pode fazer cocô a qualquer hora e o primeiro sinal é não mexer. Meu preguiçoso dormia como um anjo até que o médico veio com uma buzina no ouvido dele e apertou sem dó (o que já tinha acontecido na primeira monitoragem da manhã, mas a buzina foi bem fraca e mesmo assim ele acordou; a segunda monitoragem foi ótima, ele estava mexendo bem). Gente, eu senti o menino pular de susto e juro que chorei de dó quando o médico saiu, mas sei que foi melhor, porque o médico disse que ele reagiu bem ao estímulo. Acho que foi o único jeito, porque eu fui pra lá exatamente porque mexi muito nele, sacudi e ele nem se manifestou, então, só no susto... Espero que nunca mais precisem fazer isso com ele, fiquei mal mesmo e me dá vontade de chorar só de lembrar... Imaginem quando forem furá-lo... Ah, claro, depois ele voltou a dormir, pode? Eu tinha avisado que se ele não acordasse o médico ia fazer isso, mas ele nem deu bola... Ai, tô triste até agora com isso, mas agora ele tá esperto, tá mexendo sempre, hehehe! Agora ele não é mais leonino (sorte minha!!!), só não quero que seja um virginiano muito tímido... (...)
Será que meu bebê ainda demora???"

(5 dias depois, nascia o Thierry. Se quiser saber como, senta que lá vem a história.)
Não mudou nada, né? :D

3 de agosto de 2011

Sonho que se sonha só - ainda

Tá bom, tá bom... Devido ao grande número de [dois] pedidos insistentes, vou contar pra vocês qual é o meu sonho (tive que rir do seu comentário, Keylla!!!). Na verdade, não é nada demais e eu vou dizer mais porque preciso desabafar do que pela real importância dele. É bobagem...

Como [a maioria de] vocês sabem, sou moça criada no interiorrrrrr: nasci em Brasília - que, na época, também tinha um pouco cara de cidade do interior - mas quando eu tinha 12 anos nos mudamos de mala e cuia pra uma cidade de cerca de 70 mil habitantes, onde passei a adolescência e criei muitos vínculos. Aos 19 vim pra Sum Paulo fazer faculdade de Letras, voltava pra casa a cada 2 ou 3 semanas e esperava voltar definitivamente quando terminasse o curso. Mas no meio do caminho tinha uma pedra. Me apaixonei por ela, casei e tivemos 2 filhos lindos. E voltar pra terrinha passou a ser só um sonho distante, já que, além do marido não gostar muito da ideia, teríamos que conseguir DUAS vagas de transferência exatamente na nossa função (somos funcionários públicos, lembram?) ou passar no concurso de novo, duas coisas que seriam praticamente impossíveis, então nunca pensei nisso como um fato que pudesse se realizar. Depois que conseguimos uma escola excelente para as crianças, concorrida, gratuita e de qualidade, com oportunidades que eles não terão nem mesmo em escolas particulares, desisti de vez de sonhar em me mudar. Até que ontem eu recebi um e-mail (encaminhado a todos os funcionários) oferecendo a permuta de DUAS vagas exatamente na nossa função, exatamente na cidade onde eu cresci. E, por causa da escola das crianças, eu não posso me dar ao luxo de pensar em ir. Mais ou menos como ganhar na loteria e não encontrar o bilhete, saca? Nesse caso, a escolha de não encontrar o bilhete é minha e em nenhum momento eu me arrependo dela. Meus filhos são prioridade na minha vida. O que me machuca, me decepciona e me entristece é saber que a todo momento eu desejei isso sozinha, sem nenhum tipo de apoio, sem nenhum "talvez-quem-sabe-um-dia", sem a menor possibilidade de continuar sonhando junto, sem nenhum momento de porra-louquice de dizer "então vamos!". A frase não mudaria em nada minha decisão. Mas pelo menos eu saberia que tem alguém disposto a ficar comigo custe o que custar, como eu fiz 11 anos atrás.

25 de maio de 2011

Sou mais bonita que você. Posso passar na sua frente?

Eu detesto gente que fura fila. Gente que tem sempre um "motivo" pra passar na frente, uma desculpa pra ter mais pressa que os outros, mais razões para não ficar esperando ou que simplesmente quer mostrar que é mais "esperto". Pode ser no supermercado, no restaurante ou no trânsito. Sabe aquela pessoa que, do lado do caixa rápido do supermercado, te pergunta: "Eu só tenho isso... posso passar na sua frente?"? Então. E obviamente não tô falando de casos específicos como idosos, deficientes, gestantes e pessoas com criança de colo - mesmo  achando que "gravidez não é doença", muitas vezes usufruí do direito de utilizar o caixa preferencial porque acho justo. Tô falando de pessoas normais, saudáveis, crianças de 6 ou 7 anos que passam o dia inteiro correndo e pulando em suas atividades, mas cujas mães acham que uma fila de 20 minutos é "demais pra uma criança".  O fato é que o filho mais velho tem uma bolsa para almoçar e, como é barato, nós comemos junto. As filas são realmente muito grandes, mas andam rápido (hoje, que estava muito longa, demoramos pouco mais de 20 minutos). Eu faço questão de esperar na fila normalmente, mesmo sabendo que alguns amigos dele (da mesma sala, inclusive), que têm a mesma bolsa, sempre foram direto para a catraca para pegar uma outra fila de, no máximo, 2 ou 3 minutos. Eu já achava muito chato, mas hoje a situação me incomodou profundamente - e não só porque essas crianças falam alto, correm, abraçam ou ficam pegando no menino enquanto o coitado está lá tentando equilibrar sua bandeja com um prato cheio de comida e outro de salada. Nós já tínhamos passado quase 20 minutos na fila, a catraca, a outra fila e éramos os próximos a pegar a bandeja. Então, por trás da outra fila, vem uma das mães "empurrando" as 4 crianças e colocando as bandejas no apoio, na nossa frente. Assim, sem "licença", sem cerimônia, sem nada! Porra!!! Mas por que diabos você tem mais pressa que eu, se nossos filhos entram na mesma escola, no mesmo horário? Por que diabos você tem mais pressa que qualquer outra pessoa que está ali e precisa voltar rápido para seu trabalho ou sua aula? Por que diabos o seu filho tem mais motivos que o meu para não ficar em pé na fila? Não, não é porque a "moça" da catraca deixa alguns passarem que eu vou fazer o mesmo! Não, se eu acho que está errado! Já deixei bem claro pro menino que não acho legal e nem justo com as outras dezenas de pessoas que também estão esperando. Parece que ele entendeu o recado, porque também não acha. Naquele momento faltavam exatos 50 minutos pra tocar o sinal da escola. O mesmo sinal que ia tocar pro meu. E, dali até a escola, são cerca de 8 a 9 minutos de caminhada, 12, no máximo, se você for bem calmamente. Marido e eu fazemos o mesmo caminho todos os dias: ele, com o menino, pra ir e voltar do almoço, eu pra encontrá-lo à tarde. E não era o caso de estarem atrasados - até acho que estavam. Mas isso acontece todos os dias! Parece que nunca vai deixar de ser batido, porque é bem verdade que educação, respeito e cidadania começam em casa. Ou na fila do bandejão.

28 de abril de 2011

Neurose? Não, obrigada!

Essa semana falei um pouquinho com minha melhor amiga do colégio. Ela é mãe de 1ª viagem de um bebê de 6 meses e comentou que estava complicado trabalhar em casa e cuidar do bebê ao mesmo tempo, já que ela teve que tirá-lo da escolinha. Como mãe-insegura que [pelo menos de vez em quando] todas nós somos, ela comentou algo sobre estar preocupada com o fato dele dormir um pouco mais e perder a hora do suquinho, e me perguntou o que eu achava. Eu disse a ela que não sou a melhor mãe pra falar desse assunto, que sou uma mãe-louca e passei a refletir sobre a minha maneira de "ser mãe". Então resolvi organizar meus pensamentos aqui. Nada a ver com ela ou com ninguém: são apenas as minhas reflexões. Sou só eu pensando alto. Minha auto-auto-ajuda.

Eu não tenho a mínima neura com nada relacionado a meus filhos, exceto quando o assunto é comportamento e educação. Não me estresso com alimentação, com horários, com eles jogando videogame ou no computador. E não me sinto uma mãe relapsa ou relaxada por isso. Durante a semana, óbvio, tudo segue um padrão e uma rotina. Temos horário de acordar, de sair, de voltar pra casa, de tomar banho, de comer, de fazer lição, de desligar a TV e de dormir - sem contar os horários na escola, mais fiéis que os nossos. Mas não sou inflexível. Todos os dias vamos pro banho assim que chegamos em casa. Não se faz nada antes. Mas não significa que, se trouxermos uma pizza, por exemplo, o banho não possa ser depois - ou comeremos pizza gelada. Ou que um dia ou outro não possam ver mais 10 minutos de TV - já que 21:40h não é tão tarde assim. E aí, como a vida já tem que ser tão certinha durante a semana, eu dou um desconto nos outros dias, oras! Nós temos "obrigação" de acordar todos os dias às 06:30h, os meninos por volta das 07:15h (e não, eu não me sinto mal ou "menos mãe" por ter que sair pra trabalhar. Pelo contrário!), então por que raios nós precisamos acordar cedo também nos finais-de-semana??? E, se levantamos às 9h, 9:30h e vamos tomar café às 10h, 10:30h, por que eu almoçaria ao meio-dia como nos outros dias??? Ninguém tá com fome meio-dia! Funciona da mesma maneira com a TV na noite de sexta e sábado, quando eu deixo Thierry assistir "até a hora que quiser" (porque ele dorme antes das 22h mesmo) e Fabrício até umas 23h, 23:30h. E também com o videogame/computador que os dois (sim, os dois!) podem jogar de vez em quando - sob supervisão. Esse "no stress" rola também com o que e quanto eles comem. Não, meus filhos não podem comer doce antes da refeição ou se não comer direitinho - o que não quer dizer necessariamente "raspar o prato", ok? Eu nunca fui a favor de impor a quantidade a ser comida. Nem o que vão comer. Fabrício, por exemplo, adora feijão com farinha. E, se come 2 porções de uma refeição balanceada, 2 vezes por dia na escola, que mal há em permitir isso no sábado ou no domingo? E estão aí os dois que não me deixam mentir, tão saudáveis que eu nem sei qual foi a última vez que ficaram doentes - só tenho certeza que não foi esse ano. Hospital, há meses, só pra consulta de rotina. E a última "bronca" que levei do pediatra (que, a propósito, eu adoro, já que ele cansa de falar que não vai falar o que a mãe quer ouvir, mas o que ele acha que tem que falar. Enquanto muita mãe não aguenta ouvir a verdade e troca de médico, é justamente por isso que continuo com ele) foi justamente quando eu disse que estava "um gordinho e outro magrinho". Ele me disse que não tem nada disso: os dois estão ótimos, saudáveis e com o desenvolvimento perfeito. As mães é que têm mania de achar algum defeito.

A coisa muda totalmente de figura quando o assunto é comportamento e educação. Thierry fica muito tímido quando chega no meu trabalho ou no do pai, então abaixa a cabeça e não responde quando as pessoas dão bom dia. Ou então eles se entusiasmam com um presente e esquecem de agradecer. E é o tipo de coisa que eu não gosto de deixar passar: cumprimentos, "com licença", "por favor" e "obrigado" são obrigações de qualquer ser humano! E eu detesto que, em certos lugares, eles falem alto, façam brincadeiras estabanadas, corram, etc, como aquelas crianças de 2 posts atrás. O problema é que, muitas vezes, com medo de ser permissiva demais - coisa que abomino - acho que sou muito rígida, acabo me arrependendo e "afrouxando" um pouco. O pior: comecei a perceber que, com medo deles serem injustos com outras crianças, EU sou injusta com eles; muitas vezes só percebo tarde demais que não dei razão e eles estavam certos. Minha mãe conta que, quando eu era pequena, com esse meu jeitinho "delicado" de ser, eu "sentava a mão" nas minhas primas, que reclamavam pra ela, que brigava comigo. E ela começou a reparar que as meninas me provocavam justamente pra que eu batesse, elas reclamassem e minha mãe brigasse. Então ela parou de brigar. E eu já me peguei fazendo o mesmo, uma vez. Quando percebi, parei. Do mesmo jeito que quase 30 anos atrás, deu resultado. As brigas não pararam, mas também não há provocação nem deduração - só reclamação por parte dos meus. Muitas vezes esqueço, mas tenho feito o possível pra não me intrometer em brigas - apenas quando o lance passa a ser físico. Acho que faz parte do crescimento buscar seu espaço - mas nem era esse o assunto, um dia ele volta. Of course não dá pra citar todas as situações da vida aqui (aliás, será que alguém "guentou" ler até aqui???), mas acho que deu pra entender. Resumindo: eu me preocupo que meus filhos sejam crianças educadas e agradáveis, que todos querem por perto. Não suporto pensar que um deles seja o elemento da frase que eu tanto uso, mesmo em pensamento: "ih, lá vem o fulaninho..." Felizmente, parece que tô conseguindo.

Finalizando o raciocínio, só posso dizer que sei que não sou a mãe perfeita - longe, bem longe disso. Mas,  com as crianças felizes, saudáveis, queridas e educadas que tenho, posso dizer que estou muito bem, obrigada.

PS.: Simone, me desculpe. Só agora vi que quase copiei seu último título! Mas não vou mudar não... hehehe!
Ontem fiz minha primeira costura "oficial". Fiz e desfiz. Duas vezes. Quase estraguei um moletom novinho do Thierry fazendo a barra (porque tivemos que comprar tamanho 14 e sobra uns 8cm...). Vou ter que pedir ajuda pras minha professoras de corte e costura nível iniciante (sogra e cunhada). Mas também fiz duas almofadas com um tecido do Ben 10 que tinha do aniversário de 6 anos dele e eu estava guardando pra fazer isso mesmo. Não precisava ficar perfeito, e não ficou mesmo, mas ficou bonitinha, só falta o enchimento. Mas descobri que minha máquina veio com defeito, porque ela "pula" vários pontos, a linha não "engancha" na de baixo... Tô p* da vida com isso...

7 de abril de 2011

Change plans

(Post loooongo e dedicado à minha amiga Andreia, que me cobrou e que vive elogiando a minha "criatividade" - que só eu sei o quanto é copiada ou adaptada de coisas que já vi)

Há alguns anos, eu decidi que faria as festas dos meninos sempre com salgados - porque é prático, barato, uma coisa a menos pra eu esquentar a cabeça fazendo e uma oportunidade da gordinha aqui comer uma coisa que adora, mas não pode sempre. Quando é possível, "tematizo" a comida - como na festa de fazendinha do Fá, que tinha comidas da fazenda, ou ano passado na festa de futebol do Thi, que tinha "comidas de estádio" - mas nunca fiz nada muito além. Eu já quis mudar e há algum tempo venho pensando em coisas diferentes. A opção mais óbvia é churrasco, mas concluímos que fica mais caro, além de ser mais comum de ver nas festas da família - e não quero que seja "comum" porque adooooro receber elogios por ter feito uma coisa "diferente". Já pensei também em feijoada, mas gosto de fazer as festas à noite e é meio pesado. Mas daí, brincando com o Fá, tive uma outra ideia. Senta que lá vem a história.

Na creche do Fá, as turmas não levam aquela denominação comum das outras escolas de educação infantil (berçário, maternal, jardim). Eles são divididos em grupos, que são numerados de 1 a 11, de acordo com a faixa etária. Mas, no início de cada ano, os grupos fazem votações para escolher o nome que irá identificá-los naquele ano. Parece ser um dos momentos mais esperados pelas crianças. E Fabrício está todo feliz com o nome que foi escolhido pelo grupo dele: "Espaguete". Nesses primeiros dias, o nome é sempre explorado ao máximo: já fizeram desenho de espaguete, escultura de espaguete, já comeram espaguete no jantar e já fizeram espaguete pra trazer pra casa (não contem pra ele, mas na verdade era talharim, hahaha). Aí, conversando, acabamos falando sobre alguma coisa que me deu a ideia de fazer "macarrão aos 9 molhos" pra festa dele. Talvez você não tenha ouvido falar, mas ele tem uma historinha na minha vida. Quando o Thierry tinha 1 ano e 2 meses nós nos aventuramos numa viagem até Santa Catarina, num Uninho velho, em um feriado prolongado. Quase um dia inteirinho de estrada, contando ida e volta. O roteiro incluia o encontro com amigas em Penha, uma visita à Oktoberfest em Blumenau, outra amiga em São José e uma noite na casa dos meus tios em Floripa. Em quatro dias, hein? Mas, tirando a correria, o passeio foi muito bom e eu conheci/revi muita gente que eu amo de paixão. Em Floripa, naquele dia, meu tio era o responsável pela comida na festa de um amigo, e foi assim que nós conhecemos e nos apaixonamos pelo "macarrão aos 9 molhos". Eu não me lembro muito bem quais eram eles, mas entendo que isto pode ser ao gosto do freguês. Um ano depois, quando nos mudamos pra nossa antiga casa, fizemos uma micro-inauguração e o prato escolhido foi esse - ou "macarrão aos 8 molhos" ou "aos 7" ou "aos 10", não me lembro bem. Depois fiz novamente no aniversário surpresa de 50 anos da minha mãe, a pedido do Papi Two. Nas duas vezes ele fez o maior sucesso. Mas aí o pobrezinho entrou em hiatus. Ninguém mais lembrou dele, nem eu. Até que aconteceu a história do Grupo Espaguete... Já fiz uma conta básica de quanto iria gastar e não vai ser muito diferente do preço do salgadinho, com a vantagem que eu posso comprar com o vale-alimentação e "dividir" em 2 vezes, porque posso ir armazenando já este mês. Fabrício, o dono da festa, ficou todo empolgado com a ideia. Primeira coisa que ele disse quando ouviu a proposta: "É!!! Pode ser macarrão!!! O Henry adora macarrão, né?" Quase mordi.

A ideia não é que seja nada muito sofisticado, apenas diferente. Tanto que os molhos são básicos e para os vermelhos usarei molho pronto e extrato de tomate - porque não sei fazer, porque é mais rápido e porque o tomate anda horroroso e o olho da cara. Serão dois tipos de massa, uma longa e uma curta (provavelmente espaguete e penne), mas, dependendo do quanto vou gastar, quero acrescentar nhoque. Fiz um "rascunho" para nove molhos, que ainda podem ser alterados.  São eles: bolonhesa, ao sugo, linguiça (fresca ou defumada???) e atum; frango (que ainda está no limbo entre o molho vermelho e o branco); 4 queijos e béchamel; alho & óleo e ervas finas. Vou utilizar acompanhamentos como parmesão ralado, salsa, cebolinha, alho frito, óregano, manjericão, pimenta calabresa e uns 2 tipos de pães. Talvez um complemento pro béchamel, como bacon, brocolis, presunto ou peito de peru. Talvez. E, passando a Páscoa e os convites, vou fazer plaquinhas bonitinhas para cada molho/massa/complemento.

Agora tô pensando até em adaptar o tema pra "A Cantina do Doki", mas ainda não sei (meio nada a ver, né?)... Mas pelo menos a comida da festa tá praticamente decidida. Falta o resto todo. E você, o que achou da ideia?

5 de abril de 2011

Dinheirinho extra

Quando o Thierry era bebê, eu e marido inventamos de fazer chocolate pra vender. Fizemos bombom, pão de mel, bolo (pedaço e por quilo), mas gostava mesmo era de fazer as cestas, que continham um pouco de tudo, ficavam lindas e eram um sucesso! Mas, quem faz chocolate sabe, ele é muito chato e trabalhoso, requer tempo e paciência. Daí fomos percebendo que o Thi ficava muito "de lado", sem atenção, e acabei parando. Além disso, eu comia metade da produção e acho que cheguei a engordar uns 10kg em 1 ano. E nunca mais quis fazer nada que desse muito trabalho. Na Páscoa do ano passado preferi comprar chocolate em vez de ovo pronto com brinquedo e acabamos comprando uns 8 kg de chocolate, entre os que comemos, os que demos de presente e o que sobrou no armário. Thierry se divertiu ajudando a produzir os próprios presentes e eu me realizei viajando nas "criações". E continuei não querendo mais fazer chocolate pra vender, até porque o que não falta é gente vendendo ovo de Páscoa. Mas aí, ontem navegando na internet, eu e marido descobrimos uma maravilha que nos fez mudar de ideia. É o ovo de Páscoa de colher (Não conhece? Eu também não conhecia até ontem. Jogue no Google e seja feliz - ou morra de desejo). Resolvemos fazer pra vender, já comprei 1kg de cada tipo (ao leite, amargo e branco), fiz alguns "panfletinhos" e já peguei a primeira encomenda, "três, só pra começar". Se vou ganhar um dinheirinho eu não sei. Mas, com essa encomenda, pelo menos o chocolate eu já paguei. :D

Como ficou meu "folder" (é mais chique que panfleto, hahaha!):

Novidade!!!
Ovo de Páscoa de colher!!!

Meio ovo de 10 cm com deliciosa casca de chocolate Garoto (preto ou branco) e o seu recheio preferido! Acompanha a colherzinha para você que quer presentear ou que não aguenta esperar até a Páscoa!

Experimente! Você não vai se arrepender!

Sabores e preços:
Brigadeiro
15,00
Brigadeiro branco
15,00
Beijinho
15,00
Mesclado (brigadeiro e brigadeiro branco)
15,00
Palha italiana (brigadeiro com biscoito maizena)
15,00
Brigadeiro crocante (com amendoim)
16,00
Bicho de pé (brigadeiro sabor morango)
18,00
Trufado branco
18,00
Trufado ao leite
18,00
Trufado com café e conhaque (meio amargo)
18,00
Mousse de maracujá
15,00
Floresta negra (merengue com cereja)
16,00
Merengue
15,00
Caramelo
15,00
Nutella
20,00
(Preços válidos para casca de chocolate ao leite. Para chocolate branco, acréscimo de R$2,00)

Tem outras ideias ou quer outro tamanho?
Consulte-nos!

Elias e Letícia - telefone xxxx-xxxx


Devo fazer alguma amostra ainda hoje, se der tempo faço a encomenda que tenho. Daí terei fotos pra colocar aqui. É só esperar!
Agora preciso correr porque já estou atrasada pra minha primeira aula de Espanhol! :)

27 de março de 2011

Do contra

Eu sempre fui meio do contra. Na infância, em vez de Xuxa, eu era fã da Mara Maravilha (ok, sem risadinhas). Quando brincava de casinha com minhas primas, preferia morar no "banheirinho" do que no razoavelmente confortável quartinho de empregada. Na adolescência, em vez de Legião ou Paralamas, eu virei fã dos Engenheiros do Hawaii e, ao contrário da maioria dos fãs adolescentes de bandas, eu continuo, quase 20 anos depois. Na aula de educação física eu não me interessava por ginástica ou vôlei (só pelos jogadores), gostava mesmo era de futebol - e sonhei em ser repórter de campo. Na faculdade, odiava as aulas de literatura e amava as de línguas - mas tirava notas muito melhores naquelas. Eu não gosto de bichos de estimação e morro de medo detesto cachorro. Minha carne de vaca preferida é língua e acho que as outras têm gosto tudo igual. Ao contrário da maioria das mulheres, eu detesto sair pra comprar roupa e sapato. Aí, vai ver que é por isso que eu acho mais "perdido" um domingo no xópin que um domingo em casa, de pernas pro ar. Mas tínhamos comprado 2 cupons pra um parque (tipo Playland) num shopping aqui perto de casa, que saiu por 8 reais, com 140 de crédito/bônus. O lugar era meio fraquinho mas, com as opções que tínhamos, todo mundo conseguiu se divertir, inclusive os adultos (adultos???). Como estávamos no xópin mesmo, fomos comprar uma chuteira pro Fá, que tava precisando. Aí, como eu estava na loja mesmo, acabei comprando dois sapatinhos e uma bolsa. Aí, como eu precisava pagar a Marisa e já estava ali mesmo, comprei 3 blusinhas e meia dúzia de lingeries, que eu realmente precisava. Eu sou meio pão-dura, confesso. Por isso, não tenho muitos sapatos - nem roupa, nem lingerie. Tenho o que considero básico pra  trabalhar todo dia, sem luxo, sem exagero. Mas também tenho que admitir que tenho um marido maravilhoso que sempre acaba me dizendo "leva os dois". E sou eu que tenho que dizer não. Só que, mesmo pra trabalhar, eu não tenho nenhum sapato que não seja preto/bege/transparente e confortável o suficiente pra que eu possa caminhar meus 20 minutos diários até a creche do Fabrício. E eu também tenho momentos de mulherzinha normal, não sou 100% do contra. Não resisti. AMEI os sapatos e trouxe a bolsa por tabela, porque as minhas também não variam além do preto/bege. Cheguei em casa podre e com a sensação de ter perdido o único dia da semana em que eu não precisava fazer nada - porque pobre no sábado faz faxina (ou, no meu caso, uma limpezinha). Tudo bem, faltam só mais 6 pro próximo... ¬¬ 


Não são de apaixonar???



 Já no condomínio. Será que o passeio foi bom??? Quando percebemos, ele estava dormindo com o sorvete na mão... rs... pena que eu só tirei a foto depois de tirar da mão dele e colocar a casquinha em segurança - na barriga do Thi.

23 de março de 2011

Sampa

"...É que quando eu cheguei por aqui, eu nada entendi (...) E foste um difícil começo, afasto o que não conheço, e quem vem de outro sonho feliz de cidade aprende depressa a chamar-te de realidade..."

Hoje faz 13 anos que cheguei a São Paulo. Foi um dia difícil, mas incrível, em que conheci uma das amigas mais importantes da minha vida, a Thaís. A princípio, vim só pra fazer faculdade, voltaria "pra casa" 4 anos depois, tudo minuciosamente planejado. Porém quiseram o destino e meu nada estúpido Cupido que estivesse aqui o grande amor da minha vida, alguém que me fizesse querer fincar as estacas. Não posso dizer que amo essa cidade, mas também não odeio. Se tivesse a chance, gostaria sim de voltar pro interior - a possibilidade até existe, mas milhares de coisas dificultam essa decisão. Mas sei que sentiria falta de algumas coisas aqui. Já ouvi várias teorias sobre essa música do Caetano. Algumas dizem que é uma declaração de amor à cidade, outras dizem que ele está, na verdade, "esculhambando" com ela. Pra mim, é um meio-termo. Fato é que só não sendo paulistano e chegando aqui depois de uma certa "bagagem" pra entender Caetano. E, pode crer, "mano": eu entendo.

"E os novos baianos passeiam na tua garoa. E novos baianos te podem curtir numa boa…"

16 de janeiro de 2011

Revisão de prioridades

(Previously on Three and me... ops! Acho que tôvendo seriados demais!...)
No post passado eu disse que dois motivos me fizeram chegar à conclusão que devo aproveitar melhor meu tempo com os meninos nessas férias. Este post é sobre um deles - o principal.

Eu não acho que nossas férias sejam mal aproveitadas. Pelo contrário. Em geral, conseguimos descansar bastante, colocar a faxina em dia, as crianças ficam algum tempo com as avós e algumas vezes conseguimos até viajar/passear. Mas muitas vezes eu percebo que as crianças querem atenção e eu estou preocupada com a limpeza, a comida e até com o computador ou a TV. E aí, no final das férias, tenho a sensação de que aproveitei bastante. Mas agora estou me perguntando: e eles? Será que aproveitaram? 

Eu já estava revendo meus "planos" quando esse pensamento aumentou, há cerca de uma semana, graças a um acontecimento bobo. Foi um dia normal e gostoso, as crianças já estavam dormindo, eu já havia deitado, vi TV, dei boa noite ao marido e me virei para rezar. Neste momento, senti duas pontadas no peito. Como eu nunca tive um enfarte, nunca conheci alguém que tenha sobrevivido a um e nunca estudei o assunto a fundo, pensei: "Ih, f*deu! Chegou minha hora! Adeus, mundo!". Como dá pra perceber, devem ter sido gases ou qualquer outra coisa, mas não era um enfarte - pelo menos não um fulminante. Acontece que os instantes seguintes foram suficientes para milhões de besteiras passarem pela minha cabeça. Não só besteiras. Eu sei que todo mundo vai morrer e a ideia não me apavora. Eu só não queria que isso acontecesse antes de eu ter aquela sensação de "missão cumprida" e minha vida em ordem. Por enquanto, sinto que ainda falta muita coisa - e a principal delas é ver meus filhos crescidos e "bem encaminhados na vida". Naquele momento, eu só conseguia pensar nos meninos e em como seria crescerem sem a mãe por perto. Por experiência própria, sei o que significa. Perdi meu pai às vésperas de completar 19, já era grande e ainda sinto a falta que ele faz em muitos momentos, como no dia em que passei no vestibular, no meu casamento ou em cada dia que ele poderia estar com os netos. Mesmo com minha mãe tendo se saído tão bem em todas essas situações, é óbvio que ele faz muita falta! Eu era adolescente, achava mais fácil tentar me esconder dos problemas (como se fosse possível) do que ficar ao lado dele, mesmo sabendo que aqueles momentos acabariam logo e nunca voltariam. Mas tem uma coisa que me alivia um pouco esse sentimento: naquela que foi a última noite que ele passou em casa, eu fiquei alguns minutos com ele vendo o jornal, perguntei se precisava de alguma coisa e disse que o amava (coisa que uma adolescente de 18 anos não diz o tempo todo). E essas foram minhas últimas palavras pro meu pai: EU TE AMO. Por pior que seja, ainda acho que é o melhor jeito de se despedir de alguém tão importante na sua vida. E ali, chorando de angústia, eu pensava como seria se eu morresse e minhas últimas palavras pros meninos tivessem sido "vai deitar!"??? E se eu morresse sem fazer o "ovo de dinossauro" que havia prometido pro Thierry ou sem montar a pista que havia prometido pro Fabrício??? Saí da cama e fui pro quarto deles um pouquinho. Entre outras coisas, fiquei pensando em como eu seria triste se morresse tão magoada e estando brigada com minha única irmã, que eu adoro, sem ter dito pra minha mãe o quanto a amo e quanto sou grata por tudo o que ela fez por mim, especialmente enquanto eu fazia faculdade, sem agradecer a cada uma das minhas amigas pelos deliciosos momentos que passamos juntas (mesmo que, com algumas, eles tenham sido apenas via computador), sem dizer ao meu marido pela última vez que eu o amo demais e sem ter feito tudo que eu podia para dar aos meus filhos momentos especiais e de alegria. Algumas coisas eu não posso controlar, mas quero fazer tudo que for possível pelas outras. No dia seguinte, além dessa certeza, eu acordei bem mais leve, sem raiva, sem mágoa. E daí que o chão precisa ser varrido e não está brilhando? E daí que o sofá está tão cheio de bagunça que quase não tem onde sentar? E daí que o almoço não é tão nutritivo ou que é igual o de ontem? E daí que minha unha tá um horror? E daí que tá passando pela 847ª vez aquele episódio que eu gosto (ou mesmo um que eu ainda não vi)? E daí que eu vou ter que tomar um Tandrilax no final do dia? Não significa que eles farão o que quiserem ou que não levarão uma bronca ou ficarão de castigo. Disciplina não tira férias. E nem que eu não vou fazer as coisas que eu precisar. Ainda há muito que eu quero e vou fazer (como lavar as cortinas, limpar o sofá e organizar alguns armários), mas decidi que, ainda assim, darei aos meus filhos mais momentos com qualidade, pelo menos enquanto eu estiver de férias - durante o ano é mais difícil e eu não me culpo. Isso também significa que eles podem ficar um tempo na vó, se quiserem. Daí eles chegam, eu continuo escrevendo o post e já sinto que estou falhando. Hora de parar, dar banho, esquentar o que restou do jantar de outro dia, deixar tomar quanto sorvete quiserem e ficar com eles um pouquinho. Até porque acho que eu já disse tudo o que eu queria dizer antes de morrer.

8 de janeiro de 2011

Somos quem podemos ser

O bolo do marido ficou pra hoje. Chocolate com coco, como ele gosta. No som, como não podia deixar de ser, meu CD preferido da minha banda preferida, gravado em dois daqueles dias que vão fazer parte do filminho da minha vida, quando eu morrer.  A música não está na minha lista de "10 mais", mas é perfeita. Porque, gostem ou não, nós "somos quem podemos ser".

24/03/2000 - Palace, São Paulo

"Um dia me disseram
Que as nuvens não eram de algodão
Um dia me disseram
Que os ventos às vezes erram a direção

E tudo ficou tão claro
Um intervalo na escuridão
Uma estrela de brilho raro
Um disparo para um coração

A vida imita o vídeo
Garotos inventam um novo inglês
Vivendo num país sedento
Um momento de embriaguez

Nós somos quem podemos ser
Sonhos que podemos ter 

25/03/2000 - Palace, São Paulo
Um dia me disseram
Quem eram os donos da situação
Sem querer eles me deram
As chaves que abrem essa prisão

Quem ocupa o trono tem culpa
Quem oculta o crime também
Quem duvida da vida tem culpa
Quem evita a dúvida também tem

E nós somos quem podemos ser
Sonhos que podemos ter (e teremos)..."

(Humberto Gessinger, "Somos quem podemos ser", versão "10.000 destinos")


P.S.(update): As fotos são ruins mesmo (naquele tempo não tinha câmera digital, benhê! As amigas frequentadoras deste blog são "antiguinhas" como eu e vão se lembrar desses tempos tão remotos). No primeiro dia de gravação fiquei "colada" no palco, mas esqueci as pilhas da máquina e fiquei sem flash - lembrei no ponto de ônibus, mas ele era  fora do Campus, muito longe do alojamento onde eu morava e não dava pra voltar. No segundo dia, estava com a Thaís, minha "roommate" e melhor amiga na época, então não fui tão cedo e ficamos mais no fundo, pra fugir da muvuca. Consegui chegar ao palco na hora do bis, que tinha o Paulo Ricardo (aquele, do RPM). Mas gosto mais dessa foto aí.

31 de dezembro de 2010

Aberto para balanço

Esse é provavelmente o final de ano em que estou mais assídua com o blog - a quantidade de posts e de ócio são inversamente proporcionais às coisas que podem ser feitas na cidade (que eu adoro, não estou reclamando, não!!!). E resolvi fazer um balanço dele. Se ontem foi a retrospectiva da Globo, hoje é a minha vezhttkamt (UPDATE: será que alguém de 3 anos mexeu aqui depois que eu digitei????).

2010 não foi um ano marcante. O que não é necessariamente ruim, pois significa que nada de muito importante aconteceu; nada de muito bom, mas também nada de muito ruim. Prefiro assim.
  • Meu time não ganhou nada no ano do Centenário, mas nos encheu de orgulho em muitos momentos. E a torcida provou que pode não ser a maior, mas é a melhor e mais FIEL, capaz de fazer uma festa como ninguém mais.
  • O Brasil não foi hexa e deu até uma certa vergonha da derrota, mas isso todo mundo já sabia.
  • Meu candidato não foi eleito presidente, mas outro foi eleito governador em 1º turno. Na verdade, não sei se isso é tão bom assim. Mas prova que não sou louca (pelo menos sozinha).
  • Minha banda preferida não voltou a fazer show e provavemente não voltará, mas consegui ver meu grande ídolo de perto mais uma vez.
  • Comemorei 10 anos ao lado do homem da minha vida, pai amoroso dos meus filhos, companheiro  fiel, melhor amigo, cúmplice, leal, companheiro e único.
  • Meu filho mais velho foi para uma escola nova, excelente e gratuita, com muitos amigos velhos e outros tantos novos. Descobriu coisas sobre si mesmo, sobre os outros, sobre crianças do mundo. Aprendeu e ajudou amigos a aprenderem. Melhorou sua leitura a ponto de ser elogiado por uma Profª Dra. da Faculdade de Educação da USP.
  • Meu filho mais novo continua na mesma creche que se supera a cada ano em qualidade. Aprendeu as letras e os números, descobriu muito sobre borboletas, sobre horta, sobre músicos, sobre o tempo e o espaço, sobre os adultos já terem sido crianças. Foi constantemente elogiado por sua simpatia, espontaneidade, interesse e, principalmente, pela musicalidade que possui e impressiona.
  • Meu "quase-pré-adolescente" começou a usar óculos; meu "recém-ex-bebê" deixou de usar fralda e chupeta.
  • Descobri meu lado "menina" que eu nunca tinha percebido e que me fez bem demais.
  • Redescobri o prazer de "blogar", um prazer que eu havia perdido há algum tempo. E percebi que não preciso de um público para quem escrever. São apenas minhas memórias e pensamentos.
  • Pela primeira vez convidamos amigos da escola pro aniversário do Thierry e a festa foi um sucesso.
  • Minha avó ficou doente e nos deu um belo susto, mas saiu dessa e está bem, agora.
  • Meu trabalho continua tranquilo e não tem mais o clima pesado que tinha no ano passado.
  • Enfrentamos mais uma longa greve cheia de pressão e represálias que não nos deu praticamente nada.
  • Resolvi me calar em alguns momentos e falar em outros. Não me arrependo de nenhum deles, nem mesmo do único que teve resultado negativo.
  • Dei um "chilique virtual" com a vizinha de baixo que reclamava de barulho a qualquer hora (mesmo quando não estávamos em casa), e desde então não houve mais reclamação.
  • Rompi relações com alguém que cansou minha beleza e já estava me fazendo mal de tanto tentar provar que era melhor que eu em tudo.
  • Descobri o que uma pessoa por quem eu nutria o mais profundo afeto e amor realmente pensava a meu respeito, mas nunca teve coragem de falar.
  • Descobri, ainda, que pessoas são capazes de fazer acusações levianas, julgamentos precipitados e depois fazer exatamente aquilo que tanto criticaram e condenaram, porém de maneira muito mais deplorável.
  • Aprendi que podemos nos arrepender e pedir desculpas, mas que podemos também nos arrepender POR pedir desculpas.
  • Estreitei relações com uma amiga a quem eu já adorava e que se acha maluca por sermos tão amigas sem nunca termos nos visto. Mal sabe ela que eu nem acho tão maluquice assim e talvez isso seja a verdadeira maluquice.
  • Depois de um longo e tenebroso inverno sem contato, uma das minhas amigas mais queridas voltou pra vida virtual e me trouxe de volta uma alegria que estava faltando.
  • Comecei uma dieta junto com a amiga, mas também parei junto com ela. Emagreci pouco e já devo ter engordado de novo só esses dias na casa da minha mãe. Mas foi uma boa experiência que quero continuar.
  • Tive "febre" de Twitter, "febre" de FarmVille, "febre" de Mafia Wars, mas felizmente todas passaram. Infelizmente apareceu o CityVille.
Não foi um ano de fatos marcantes ou "pra ficar na memória". Mas foi mais um ano importante e com acontecimentos únicos. Somando as coisas boas e ruins, o saldo é extremamente positivo. Entre mortos e feridos, salvaram-se todos.

Não vou fazer promessas pro Ano Novo. Não acho que faça diferença fazermos o que achamos certo em janeiro ou em dezembro. Tento acertar o ano todo. Nem sempre é possível, mas, quando erro, reconheço, levanto a cabeça e sigo adiante. Para o novo ano, desejo apenas que haja paz, amor, saúde e harmonia para mim, minha família e meus amigos. E que Deus continue nos abençoando e protegendo, como sempre fez. Não que eu vá achar ruim se levar sozinha os 200 milhões da MegaSena hoje...

30 de dezembro de 2010

Criança feliz

E então nós fomos com a família comer um lanche - muito bom, ainda mais com meu magrelo comendo um cachorro quente inteirinho (tá, era só um pão com salsicha, mas pra quem gosta de feijão com farinha tá bom demais). E ficamos lá, eu, marido e meu irmão mais novo, fazendo planos para quando ganharmos na Mega da Virada. Meu irmão, muito modesto, não quer nada muito sofisticado: um Astra está bom - isso porque eu disse que daria 10 milhões pra cada irmão. E ficou pensando no que me daria se fosse ele o ganhador. Eu disse que, depois de quitar meu carro e minha casa (porque eu sô pobre), pode me dar apenas um quarto cheio de brinquedos. Quero uma parede cheia de prateleiras pra colocar todos os brinquedos em que eu gasto hoooras babando quando vou na Ri Happy. Uma parede só de Barbies, outra só de Playmobil - um dos meus preferidos e que agora tem coleções para meninas. Eu amo brinquedo de paixão. Quando vou dar presente, me perco escolhendo, pensando no que a criança vai gostar - e, se for pros meus, penso se vou gostar de brincar junto. Nunca dou brinquedo caro porque não posso, mas também não dou brinquedo "só por dar" - e muito menos dou roupa. Ontem os meninos ganharam do meu outro irmão dois Playmobil cada um. Quando abriram os pacotes, quem gritou fui eu - e Thierry foi até contar pra vó. Abre parêntese: Fofura ver os dois brincando juntos, ficaram um tempão "lutando" com os bonequinhos, Fabrício faz até a sonoplastia, é um amor! Fecha parêntese. Minha viagem dos sonhos é pra Disney. Será uma das primeiras providências pra semana que vem, quando eu ficar milionária. Mínimo de 30 dias (não vou ter que voltar ao trabalho mesmo...). Sim, eu tive infância. Sim, ela foi feliz e relativamente "abastada". Mas tem gente que gosta de colecionar selos, outros moedas e outros latinhas de cerveja. Eu não posso me dar a esse luxo, mas se ficar rica, com certeza farei o dono da RiHappy e a Receita Federal bem felizes...

27 de dezembro de 2010

Lindo pra cachorro

Eu sempre quis ser mãe. E não nego que fazia parte do sonho ter uma menina. Por isso, desde a adolescência "minha filha" já tinha nome: Gabriela. Mudou de sobrenome e de pai algumas vezes, mas o nome se manteve firme e forte até o final da minha primeira gravidez. E eu nunca pensei seriamente em um nome para menino - que mudava cada vez que mudava o sobrenome. Outro dia Thierry torceu o nariz quando eu disse que ele (que obviamente não seria "ele") poderia ter se chamado Norton ou Tristan. Como eu "exigia" Gabriela, se fosse menina, aceitava o nome que o suposto pai escolhia para um menino, mesmo não gostando - e os desgramados nunca escolhiam um nome "normal". Felizmente, esses nomes não duravam muito, já que meu namoro mais longo antes de conhecer o marido durou apenas 7 meses. Quando comecei a namorar o marido, foi bem diferente. Eu sei, Thierry não é um nome lá muito convencional - desde que engravidei até a Copa de 2006, quando o Thierry Henry estava com tudo, muito pouca gente conhecia ou sequer entendia quando eu falava o nome, chegaram a me perguntar "de onde eu tinha tirado esse nome"; justo a mim, que não gosto nem um pouco de nomes inventados ou muito diferentes. Mas foi um nome escolhido no 14º dia de namoro, de comum acordo e com muita convicção. Nem chegamos a conversar sobre nomes durante a gravidez. Fui cada vez mais me apaixonando por ele, ainda mais depois que o menino nasceu e ele passou a fazer sentido de verdade. É o nome mais lindo do mundo...
(...)
E daí que sexta, na estrada, paramos para comer e esticar as pernas. Os meninos se lambuzaram de sorvete e foram com o pai ao banheiro lavar as mãos. Fiquei no carro e, enquanto eles andavam, tive a impressão de ouvir um adulto chamar "Thierry", de longe. Vi que não era o marido, pois o Thi estava bem juntinho dele. Estávamos no meio da Anhanguera, seria coincidência demais encontrar um conhecido ali - ainda mais adulto. "Deve ser um nome parecido", pensei. Me distraí e, quando eles voltavam, ouvi de novo. Mas dessa vez não fui só eu, já que os três olharam para trás. Marido fez cara de "eu, hein" e continuou vindo, enquanto a pessoa continuava chamando. Foi então que percebemos uma família com um cachorrinho teimoso. De longe, perguntei o nome do cachorro e ele respondeu com a dicção forçada (igualzinho eu faço pra pessoa entender): "T-H-I-E-R-R-Y!" Eu disse que era o nome do meu filho e caímos todos na gargalhada, inclusive o cara, enquanto pedia desculpas. Virou piada. Quem mais riu foi o próprio dono do nome, que saiu contando a história pra todo mundo, dizendo que eu devia ter perguntado o nome do filho deles pra colocar no nosso cachorro...

18 de dezembro de 2010

Escolhas

Ontem fiquei um tempão conversando com uma amiga que amo. Conversando é modo de falar, porque quando eu desato a falar, pobre amiga (pausa para ela imaginar a minha cara como a daquela tiazinha do busão dizendo que ela é uma guerreira)... Uma pessoa muito crítica e sincera, que não fica de mimimi e nhém-nhém-nhém por medo de discordar e "ficar mal" com alguém e que, graças a isso, é uma das poucas pessoas cuja opinião realmente me importa. Fato é que, depois de uma longa conversa não muito filosófica, ela comentou algo que me deixou pensando bastante e as ideias foram concatenando, até que eu cheguei no assunto que achei que merecia um post. Senta que lá vem a história.

Todo mundo sabe, é frase de efeito e até slogan de comercial. Mas a vida é realmente feita de escolhas. E as minhas foram, quase sempre, mais passionais do que racionais - porque eu sou assim. Mas também sempre foram feitas com muita convicção. Claro que de algumas-poucas eu me arrependo, mas não faço disso um grande problema e nem vivo de reclamar delas. É assim que a gente cresce. Aos 14 decidi fazer magistério em vez do colegial (me recuso a falar "ensino médio"), mesmo sabendo que perderia um ano a miais (o curso era de 4 anos) e estaria pouco preparada para o vestibular. Mas eu não me arrependi, adorava crianças, adorava ensinar, fiz amizades verdadeiras que duram até hoje, 14 anos e alguns quilômetros de distância depois. Não seguir a profissão não foi uma escolha, mas um caminho que minha vida foi tomando. Formada, depois de um ano de cursinho e 4 vestibulares, passei no único em que havia colocado a segunda opção. Tive que escolher entre fazer um curso com o qual eu não sonhava (mas até queria) na USP ou esperar mais um ano e TENTAR passar em outra faculdade, no curso que eu sonhava, Jornalismo. Escolhi a primeira opção e mergulhei de cabeça. Foi assim que me formei em Letras "senza rimpianti" (ou sem arrependimentos). Já bem no final da faculdade cheguei a pensar em trocar de curso por Biblioteconomia, a área em que trabalho até hoje e onde estaria ganhando um pouco mais se tivesse o superior, mas, apaixonada por Italiano e no fim do curso, nem levei o pensamento adiante. Escolhas podem custar futuros. Jornalista, eu estaria desempregada e infeliz. Bibliotecária eu estaria ganhando mais e até feliz. Nem por isso me arrependo da escolha. E outras foram surgindo. Escolhi trabalhar fora e dar um pouco mais de conforto material pra minha família. Escolhi a estabilidade financeira de um emprego público a um salário (talvez) maior lecionando. Escolhi ter um filho logo no início do casamento simplesmente porque este seria o maior prazer da minha vida. Escolhi ter o segundo filho porque esse seria o único prazer capaz de completar o anterior. Escolhi parar um mestrado na USP só porque ele ocupava um tempo que deveria ser do meu filho (até então, único). Escolhi encerrar amizades pouco (ou nada) sinceras porque me fazial mal. Escolhi morar numa cidade da qual não gosto em vez de voltar para o aconchego do colo da mamãe, pois aqui estava o homem que amo e escolhi pra viver - alguém cujas qualidades não se encontram em qualquer "Zé Mané" por aí. Minha mãe continuaria sendo minha mãe, me amando e sendo amada por mim, em qualquer lugar do planeta que eu estivesse. Além de este ser o caminho natural da vida, dela aprovar o marido com louvor e do orgulho que eu sei que ela sente pelas minhas escolhas e conquistas, feitas com muito trabalho e amor. Estar longe é uma escolha que custa caro (e não só financeiramente), mas feita com plena consciência dos prós e contras - telefone e internet estão aí pra amenizar os contras, fora que amor de mãe ou de filha não diminuem com o tempo ou a distância. Não que eu precise falar com ela o tempo todo pra saber disso, até porque custa caro e nossos dias são sempre cheios de coisas pra fazer. Pensando bem, me dá até um certo orgulho que ela não precise querer saber o tempo todo se eu estou bem emocional ou financeiramente, porque ela já sabe.

O que eu quero dizer é que não dá pra passar a vida toda fazendo escolhas das quais nos arrependeremos e ficaremos reclamando depois. Ninguém é responsável pelas suas escolhas, além de você. Não posso reclamar da minha casa suja ou bagunçada de vez em quando porque escolhi não ter empregada e também não "me matar" no tempo que me resta para descanso e lazer. Não posso reclamar que ganho menos do que gostaria porque não tive coragem ou vontade de mudar meu futuro profissional. Não posso reclamar de não ter uma pós-graduação porque não tive interesse de batalhar por ela. Não posso reclamar de não trabalhar com as coisas que eu mais gostaria porque julguei que outro emprego seria melhor. Não posso reclamar do trabalho que meus filhos dão porque eu os desejei e ninguém disse que seria fácil. Enfim, fazer escolhas nem sempre é fácil. Aí eu entendo a revolta da amiga lá do começo (que faz uma faculdade cheia de trabalhos, cuida da casa, dos 3 filhos pequenos e precisa pegar ônibus lotado com eles todo santo dia) quando as pessoas sentem "pena" dela - enquanto, na verdade, suas escolhas a fazem muito feliz. Isso aumenta minha admiração por ela: em vez de autopiedade pelo leão que mata a cada dia, ela diz que não faz mais do que muitas outras mulheres fazem e fizeram pela família. E essa atitude é proporcional à convicção com que fazemos nossas escolhas. Para alguns, é mais fácil reclamar. Eu prefiro arcar com as consequencias das escolhas erradas, continuar batalhando pelas certas e agradecer a Deus por todas, já que sempre me fazem aprender.

(post escrito em 2 dias, esperando que a amiga não se chateie por ter sido citada...)