Site Meter Três e eu: Pensamentos
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3 de agosto de 2011

Sonho que se sonha só - ainda

Tá bom, tá bom... Devido ao grande número de [dois] pedidos insistentes, vou contar pra vocês qual é o meu sonho (tive que rir do seu comentário, Keylla!!!). Na verdade, não é nada demais e eu vou dizer mais porque preciso desabafar do que pela real importância dele. É bobagem...

Como [a maioria de] vocês sabem, sou moça criada no interiorrrrrr: nasci em Brasília - que, na época, também tinha um pouco cara de cidade do interior - mas quando eu tinha 12 anos nos mudamos de mala e cuia pra uma cidade de cerca de 70 mil habitantes, onde passei a adolescência e criei muitos vínculos. Aos 19 vim pra Sum Paulo fazer faculdade de Letras, voltava pra casa a cada 2 ou 3 semanas e esperava voltar definitivamente quando terminasse o curso. Mas no meio do caminho tinha uma pedra. Me apaixonei por ela, casei e tivemos 2 filhos lindos. E voltar pra terrinha passou a ser só um sonho distante, já que, além do marido não gostar muito da ideia, teríamos que conseguir DUAS vagas de transferência exatamente na nossa função (somos funcionários públicos, lembram?) ou passar no concurso de novo, duas coisas que seriam praticamente impossíveis, então nunca pensei nisso como um fato que pudesse se realizar. Depois que conseguimos uma escola excelente para as crianças, concorrida, gratuita e de qualidade, com oportunidades que eles não terão nem mesmo em escolas particulares, desisti de vez de sonhar em me mudar. Até que ontem eu recebi um e-mail (encaminhado a todos os funcionários) oferecendo a permuta de DUAS vagas exatamente na nossa função, exatamente na cidade onde eu cresci. E, por causa da escola das crianças, eu não posso me dar ao luxo de pensar em ir. Mais ou menos como ganhar na loteria e não encontrar o bilhete, saca? Nesse caso, a escolha de não encontrar o bilhete é minha e em nenhum momento eu me arrependo dela. Meus filhos são prioridade na minha vida. O que me machuca, me decepciona e me entristece é saber que a todo momento eu desejei isso sozinha, sem nenhum tipo de apoio, sem nenhum "talvez-quem-sabe-um-dia", sem a menor possibilidade de continuar sonhando junto, sem nenhum momento de porra-louquice de dizer "então vamos!". A frase não mudaria em nada minha decisão. Mas pelo menos eu saberia que tem alguém disposto a ficar comigo custe o que custar, como eu fiz 11 anos atrás.

2 de agosto de 2011

Sonho que se sonha só

Dizia Raul:

"Sonho que se sonha só/ É só um sonho que se sonha só/ Mas sonho que se sonha junto é realidade"

Eu tenho um sonho há muito tempo guardado, mas sempre foi "um sonho que se sonha só", pois o marido sempre foi redundantemente contra. Como era um sonho extremamente difícil de se realizar, fui guardando no cantinho e nem sonhava mais, então o fato dele não aceitar nem "doía". Com o tempo conseguimos que os meninos fossem para uma boa escola gratuita, o que impedia de vez meu sonho de se tornar realidade. Mas hoje o que eu jamais imaginei, aconteceu. Recebi um e-mail que acabava com a parte do "extrememente difícil de se realizar". Agora, o que dói é que ele está ali, esperando eu responder que quero. Mas - pelos meus filhos, só por eles - eu não posso. O e-mail que eu tanto sonhava veio com mais de 10 anos de antecedência. E meu sonho vai continuar sendo só um sonho que se sonha só.

2 de maio de 2011

It's a long way back

"You're right. You are absolutely right. Cars are not safe for children. Ok, neither are bookcases or squirrels, strong winds, people who sneeze. They're all going to get your baby. But honey you don't feel this was because you were in an accident. You feel this way because you are a parent. It all pass, mostly. Some of that never will." - Dra. Miranda Bailey, "Grey's Anatomy", 7ª temporada, episódio 19.

28 de abril de 2011

Neurose? Não, obrigada!

Essa semana falei um pouquinho com minha melhor amiga do colégio. Ela é mãe de 1ª viagem de um bebê de 6 meses e comentou que estava complicado trabalhar em casa e cuidar do bebê ao mesmo tempo, já que ela teve que tirá-lo da escolinha. Como mãe-insegura que [pelo menos de vez em quando] todas nós somos, ela comentou algo sobre estar preocupada com o fato dele dormir um pouco mais e perder a hora do suquinho, e me perguntou o que eu achava. Eu disse a ela que não sou a melhor mãe pra falar desse assunto, que sou uma mãe-louca e passei a refletir sobre a minha maneira de "ser mãe". Então resolvi organizar meus pensamentos aqui. Nada a ver com ela ou com ninguém: são apenas as minhas reflexões. Sou só eu pensando alto. Minha auto-auto-ajuda.

Eu não tenho a mínima neura com nada relacionado a meus filhos, exceto quando o assunto é comportamento e educação. Não me estresso com alimentação, com horários, com eles jogando videogame ou no computador. E não me sinto uma mãe relapsa ou relaxada por isso. Durante a semana, óbvio, tudo segue um padrão e uma rotina. Temos horário de acordar, de sair, de voltar pra casa, de tomar banho, de comer, de fazer lição, de desligar a TV e de dormir - sem contar os horários na escola, mais fiéis que os nossos. Mas não sou inflexível. Todos os dias vamos pro banho assim que chegamos em casa. Não se faz nada antes. Mas não significa que, se trouxermos uma pizza, por exemplo, o banho não possa ser depois - ou comeremos pizza gelada. Ou que um dia ou outro não possam ver mais 10 minutos de TV - já que 21:40h não é tão tarde assim. E aí, como a vida já tem que ser tão certinha durante a semana, eu dou um desconto nos outros dias, oras! Nós temos "obrigação" de acordar todos os dias às 06:30h, os meninos por volta das 07:15h (e não, eu não me sinto mal ou "menos mãe" por ter que sair pra trabalhar. Pelo contrário!), então por que raios nós precisamos acordar cedo também nos finais-de-semana??? E, se levantamos às 9h, 9:30h e vamos tomar café às 10h, 10:30h, por que eu almoçaria ao meio-dia como nos outros dias??? Ninguém tá com fome meio-dia! Funciona da mesma maneira com a TV na noite de sexta e sábado, quando eu deixo Thierry assistir "até a hora que quiser" (porque ele dorme antes das 22h mesmo) e Fabrício até umas 23h, 23:30h. E também com o videogame/computador que os dois (sim, os dois!) podem jogar de vez em quando - sob supervisão. Esse "no stress" rola também com o que e quanto eles comem. Não, meus filhos não podem comer doce antes da refeição ou se não comer direitinho - o que não quer dizer necessariamente "raspar o prato", ok? Eu nunca fui a favor de impor a quantidade a ser comida. Nem o que vão comer. Fabrício, por exemplo, adora feijão com farinha. E, se come 2 porções de uma refeição balanceada, 2 vezes por dia na escola, que mal há em permitir isso no sábado ou no domingo? E estão aí os dois que não me deixam mentir, tão saudáveis que eu nem sei qual foi a última vez que ficaram doentes - só tenho certeza que não foi esse ano. Hospital, há meses, só pra consulta de rotina. E a última "bronca" que levei do pediatra (que, a propósito, eu adoro, já que ele cansa de falar que não vai falar o que a mãe quer ouvir, mas o que ele acha que tem que falar. Enquanto muita mãe não aguenta ouvir a verdade e troca de médico, é justamente por isso que continuo com ele) foi justamente quando eu disse que estava "um gordinho e outro magrinho". Ele me disse que não tem nada disso: os dois estão ótimos, saudáveis e com o desenvolvimento perfeito. As mães é que têm mania de achar algum defeito.

A coisa muda totalmente de figura quando o assunto é comportamento e educação. Thierry fica muito tímido quando chega no meu trabalho ou no do pai, então abaixa a cabeça e não responde quando as pessoas dão bom dia. Ou então eles se entusiasmam com um presente e esquecem de agradecer. E é o tipo de coisa que eu não gosto de deixar passar: cumprimentos, "com licença", "por favor" e "obrigado" são obrigações de qualquer ser humano! E eu detesto que, em certos lugares, eles falem alto, façam brincadeiras estabanadas, corram, etc, como aquelas crianças de 2 posts atrás. O problema é que, muitas vezes, com medo de ser permissiva demais - coisa que abomino - acho que sou muito rígida, acabo me arrependendo e "afrouxando" um pouco. O pior: comecei a perceber que, com medo deles serem injustos com outras crianças, EU sou injusta com eles; muitas vezes só percebo tarde demais que não dei razão e eles estavam certos. Minha mãe conta que, quando eu era pequena, com esse meu jeitinho "delicado" de ser, eu "sentava a mão" nas minhas primas, que reclamavam pra ela, que brigava comigo. E ela começou a reparar que as meninas me provocavam justamente pra que eu batesse, elas reclamassem e minha mãe brigasse. Então ela parou de brigar. E eu já me peguei fazendo o mesmo, uma vez. Quando percebi, parei. Do mesmo jeito que quase 30 anos atrás, deu resultado. As brigas não pararam, mas também não há provocação nem deduração - só reclamação por parte dos meus. Muitas vezes esqueço, mas tenho feito o possível pra não me intrometer em brigas - apenas quando o lance passa a ser físico. Acho que faz parte do crescimento buscar seu espaço - mas nem era esse o assunto, um dia ele volta. Of course não dá pra citar todas as situações da vida aqui (aliás, será que alguém "guentou" ler até aqui???), mas acho que deu pra entender. Resumindo: eu me preocupo que meus filhos sejam crianças educadas e agradáveis, que todos querem por perto. Não suporto pensar que um deles seja o elemento da frase que eu tanto uso, mesmo em pensamento: "ih, lá vem o fulaninho..." Felizmente, parece que tô conseguindo.

Finalizando o raciocínio, só posso dizer que sei que não sou a mãe perfeita - longe, bem longe disso. Mas,  com as crianças felizes, saudáveis, queridas e educadas que tenho, posso dizer que estou muito bem, obrigada.

PS.: Simone, me desculpe. Só agora vi que quase copiei seu último título! Mas não vou mudar não... hehehe!

24 de março de 2011

"How I wish, how I wish you were here"


Se estivesse vivo, hoje "ele" faria 64 anos. O primeiro dos 4 homens da minha vida. Aquele a quem eu devo parte do que sou, devo muito, inclusive a vida. Aquele que me ajudou nos meus primeiros passos, primeiras palavras, primeiras lições de vida. Que nos deixou tão cedo, mas que, tenho certeza, está olhando por nós e sendo parte constante das nossas vidas, até dos que não tiveram a sorte de conhecê-lo. Tenho o orgulho e o privilégio de ser um pedacinho dele e de ter podido conviver por quase 19 anos com ele. Está vivo pra sempre no meu coração.

 Pai, amor eterno! ♥


"Naquela mesa ele sentava sempre
E me dizia sempre, o que é viver melhor.
Naquela mesa ele contava histórias,
Que hoje na memória eu guardo e sei de cor.

Naquela mesa ele juntava gente
E contava contente o que fez de manhã.
E nos seus olhos era tanto brilho,
Que mais que seu filho, eu fiquei seu fã.

Eu não sabia que doía tanto
Uma mesa no canto, uma casa e um jardim.
Se eu soubesse o quanto doi a vida,
Essa dor tão doída não doía assim.

Agora resta uma mesa na sala
E hoje ninguem mais fala no seu bandolim.
Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele tá doendo em mim."

 ("Naquela mesa", Sérgio Bitterncourt)


Hoje, tudo que eu queria era poder ligar para dar os parabéns. Mas é a 13ª vez que não posso. Só me restam a saudade e as lembranças, uma homenagenzinha no blog, que é minha válvula de escape. Todo ano sinto as mesmas coisas, já nem tento evitar. "How I wish, how I wish you were here..."

16 de janeiro de 2011

Revisão de prioridades

(Previously on Three and me... ops! Acho que tôvendo seriados demais!...)
No post passado eu disse que dois motivos me fizeram chegar à conclusão que devo aproveitar melhor meu tempo com os meninos nessas férias. Este post é sobre um deles - o principal.

Eu não acho que nossas férias sejam mal aproveitadas. Pelo contrário. Em geral, conseguimos descansar bastante, colocar a faxina em dia, as crianças ficam algum tempo com as avós e algumas vezes conseguimos até viajar/passear. Mas muitas vezes eu percebo que as crianças querem atenção e eu estou preocupada com a limpeza, a comida e até com o computador ou a TV. E aí, no final das férias, tenho a sensação de que aproveitei bastante. Mas agora estou me perguntando: e eles? Será que aproveitaram? 

Eu já estava revendo meus "planos" quando esse pensamento aumentou, há cerca de uma semana, graças a um acontecimento bobo. Foi um dia normal e gostoso, as crianças já estavam dormindo, eu já havia deitado, vi TV, dei boa noite ao marido e me virei para rezar. Neste momento, senti duas pontadas no peito. Como eu nunca tive um enfarte, nunca conheci alguém que tenha sobrevivido a um e nunca estudei o assunto a fundo, pensei: "Ih, f*deu! Chegou minha hora! Adeus, mundo!". Como dá pra perceber, devem ter sido gases ou qualquer outra coisa, mas não era um enfarte - pelo menos não um fulminante. Acontece que os instantes seguintes foram suficientes para milhões de besteiras passarem pela minha cabeça. Não só besteiras. Eu sei que todo mundo vai morrer e a ideia não me apavora. Eu só não queria que isso acontecesse antes de eu ter aquela sensação de "missão cumprida" e minha vida em ordem. Por enquanto, sinto que ainda falta muita coisa - e a principal delas é ver meus filhos crescidos e "bem encaminhados na vida". Naquele momento, eu só conseguia pensar nos meninos e em como seria crescerem sem a mãe por perto. Por experiência própria, sei o que significa. Perdi meu pai às vésperas de completar 19, já era grande e ainda sinto a falta que ele faz em muitos momentos, como no dia em que passei no vestibular, no meu casamento ou em cada dia que ele poderia estar com os netos. Mesmo com minha mãe tendo se saído tão bem em todas essas situações, é óbvio que ele faz muita falta! Eu era adolescente, achava mais fácil tentar me esconder dos problemas (como se fosse possível) do que ficar ao lado dele, mesmo sabendo que aqueles momentos acabariam logo e nunca voltariam. Mas tem uma coisa que me alivia um pouco esse sentimento: naquela que foi a última noite que ele passou em casa, eu fiquei alguns minutos com ele vendo o jornal, perguntei se precisava de alguma coisa e disse que o amava (coisa que uma adolescente de 18 anos não diz o tempo todo). E essas foram minhas últimas palavras pro meu pai: EU TE AMO. Por pior que seja, ainda acho que é o melhor jeito de se despedir de alguém tão importante na sua vida. E ali, chorando de angústia, eu pensava como seria se eu morresse e minhas últimas palavras pros meninos tivessem sido "vai deitar!"??? E se eu morresse sem fazer o "ovo de dinossauro" que havia prometido pro Thierry ou sem montar a pista que havia prometido pro Fabrício??? Saí da cama e fui pro quarto deles um pouquinho. Entre outras coisas, fiquei pensando em como eu seria triste se morresse tão magoada e estando brigada com minha única irmã, que eu adoro, sem ter dito pra minha mãe o quanto a amo e quanto sou grata por tudo o que ela fez por mim, especialmente enquanto eu fazia faculdade, sem agradecer a cada uma das minhas amigas pelos deliciosos momentos que passamos juntas (mesmo que, com algumas, eles tenham sido apenas via computador), sem dizer ao meu marido pela última vez que eu o amo demais e sem ter feito tudo que eu podia para dar aos meus filhos momentos especiais e de alegria. Algumas coisas eu não posso controlar, mas quero fazer tudo que for possível pelas outras. No dia seguinte, além dessa certeza, eu acordei bem mais leve, sem raiva, sem mágoa. E daí que o chão precisa ser varrido e não está brilhando? E daí que o sofá está tão cheio de bagunça que quase não tem onde sentar? E daí que o almoço não é tão nutritivo ou que é igual o de ontem? E daí que minha unha tá um horror? E daí que tá passando pela 847ª vez aquele episódio que eu gosto (ou mesmo um que eu ainda não vi)? E daí que eu vou ter que tomar um Tandrilax no final do dia? Não significa que eles farão o que quiserem ou que não levarão uma bronca ou ficarão de castigo. Disciplina não tira férias. E nem que eu não vou fazer as coisas que eu precisar. Ainda há muito que eu quero e vou fazer (como lavar as cortinas, limpar o sofá e organizar alguns armários), mas decidi que, ainda assim, darei aos meus filhos mais momentos com qualidade, pelo menos enquanto eu estiver de férias - durante o ano é mais difícil e eu não me culpo. Isso também significa que eles podem ficar um tempo na vó, se quiserem. Daí eles chegam, eu continuo escrevendo o post e já sinto que estou falhando. Hora de parar, dar banho, esquentar o que restou do jantar de outro dia, deixar tomar quanto sorvete quiserem e ficar com eles um pouquinho. Até porque acho que eu já disse tudo o que eu queria dizer antes de morrer.

18 de dezembro de 2010

Escolhas

Ontem fiquei um tempão conversando com uma amiga que amo. Conversando é modo de falar, porque quando eu desato a falar, pobre amiga (pausa para ela imaginar a minha cara como a daquela tiazinha do busão dizendo que ela é uma guerreira)... Uma pessoa muito crítica e sincera, que não fica de mimimi e nhém-nhém-nhém por medo de discordar e "ficar mal" com alguém e que, graças a isso, é uma das poucas pessoas cuja opinião realmente me importa. Fato é que, depois de uma longa conversa não muito filosófica, ela comentou algo que me deixou pensando bastante e as ideias foram concatenando, até que eu cheguei no assunto que achei que merecia um post. Senta que lá vem a história.

Todo mundo sabe, é frase de efeito e até slogan de comercial. Mas a vida é realmente feita de escolhas. E as minhas foram, quase sempre, mais passionais do que racionais - porque eu sou assim. Mas também sempre foram feitas com muita convicção. Claro que de algumas-poucas eu me arrependo, mas não faço disso um grande problema e nem vivo de reclamar delas. É assim que a gente cresce. Aos 14 decidi fazer magistério em vez do colegial (me recuso a falar "ensino médio"), mesmo sabendo que perderia um ano a miais (o curso era de 4 anos) e estaria pouco preparada para o vestibular. Mas eu não me arrependi, adorava crianças, adorava ensinar, fiz amizades verdadeiras que duram até hoje, 14 anos e alguns quilômetros de distância depois. Não seguir a profissão não foi uma escolha, mas um caminho que minha vida foi tomando. Formada, depois de um ano de cursinho e 4 vestibulares, passei no único em que havia colocado a segunda opção. Tive que escolher entre fazer um curso com o qual eu não sonhava (mas até queria) na USP ou esperar mais um ano e TENTAR passar em outra faculdade, no curso que eu sonhava, Jornalismo. Escolhi a primeira opção e mergulhei de cabeça. Foi assim que me formei em Letras "senza rimpianti" (ou sem arrependimentos). Já bem no final da faculdade cheguei a pensar em trocar de curso por Biblioteconomia, a área em que trabalho até hoje e onde estaria ganhando um pouco mais se tivesse o superior, mas, apaixonada por Italiano e no fim do curso, nem levei o pensamento adiante. Escolhas podem custar futuros. Jornalista, eu estaria desempregada e infeliz. Bibliotecária eu estaria ganhando mais e até feliz. Nem por isso me arrependo da escolha. E outras foram surgindo. Escolhi trabalhar fora e dar um pouco mais de conforto material pra minha família. Escolhi a estabilidade financeira de um emprego público a um salário (talvez) maior lecionando. Escolhi ter um filho logo no início do casamento simplesmente porque este seria o maior prazer da minha vida. Escolhi ter o segundo filho porque esse seria o único prazer capaz de completar o anterior. Escolhi parar um mestrado na USP só porque ele ocupava um tempo que deveria ser do meu filho (até então, único). Escolhi encerrar amizades pouco (ou nada) sinceras porque me fazial mal. Escolhi morar numa cidade da qual não gosto em vez de voltar para o aconchego do colo da mamãe, pois aqui estava o homem que amo e escolhi pra viver - alguém cujas qualidades não se encontram em qualquer "Zé Mané" por aí. Minha mãe continuaria sendo minha mãe, me amando e sendo amada por mim, em qualquer lugar do planeta que eu estivesse. Além de este ser o caminho natural da vida, dela aprovar o marido com louvor e do orgulho que eu sei que ela sente pelas minhas escolhas e conquistas, feitas com muito trabalho e amor. Estar longe é uma escolha que custa caro (e não só financeiramente), mas feita com plena consciência dos prós e contras - telefone e internet estão aí pra amenizar os contras, fora que amor de mãe ou de filha não diminuem com o tempo ou a distância. Não que eu precise falar com ela o tempo todo pra saber disso, até porque custa caro e nossos dias são sempre cheios de coisas pra fazer. Pensando bem, me dá até um certo orgulho que ela não precise querer saber o tempo todo se eu estou bem emocional ou financeiramente, porque ela já sabe.

O que eu quero dizer é que não dá pra passar a vida toda fazendo escolhas das quais nos arrependeremos e ficaremos reclamando depois. Ninguém é responsável pelas suas escolhas, além de você. Não posso reclamar da minha casa suja ou bagunçada de vez em quando porque escolhi não ter empregada e também não "me matar" no tempo que me resta para descanso e lazer. Não posso reclamar que ganho menos do que gostaria porque não tive coragem ou vontade de mudar meu futuro profissional. Não posso reclamar de não ter uma pós-graduação porque não tive interesse de batalhar por ela. Não posso reclamar de não trabalhar com as coisas que eu mais gostaria porque julguei que outro emprego seria melhor. Não posso reclamar do trabalho que meus filhos dão porque eu os desejei e ninguém disse que seria fácil. Enfim, fazer escolhas nem sempre é fácil. Aí eu entendo a revolta da amiga lá do começo (que faz uma faculdade cheia de trabalhos, cuida da casa, dos 3 filhos pequenos e precisa pegar ônibus lotado com eles todo santo dia) quando as pessoas sentem "pena" dela - enquanto, na verdade, suas escolhas a fazem muito feliz. Isso aumenta minha admiração por ela: em vez de autopiedade pelo leão que mata a cada dia, ela diz que não faz mais do que muitas outras mulheres fazem e fizeram pela família. E essa atitude é proporcional à convicção com que fazemos nossas escolhas. Para alguns, é mais fácil reclamar. Eu prefiro arcar com as consequencias das escolhas erradas, continuar batalhando pelas certas e agradecer a Deus por todas, já que sempre me fazem aprender.

(post escrito em 2 dias, esperando que a amiga não se chateie por ter sido citada...)

12 de dezembro de 2010

Depoimento de uma viciada

Eu nunca pensei em usar. Na adolescência, vi muitas amigas usando, mas eu nem pensava na ideia. Preferia outras opções. Algumas amigas usavam por brincadeira, só pra fazer charme, enquanto outras pegavam pesado mesmo. Eu, nem por brincadeira, nunca quis experimentar. Sempre achei que não gostaria, que não era pra mim, não fazia meu tipo. O tempo foi passando e eu conheci muita gente que usava. Fazia outras amizades, e elas usavam. Minha chefe anterior usava, a atual usa muito. Até minha mãe usou de leve. Era tanta gente usando, gente dizendo que eu gostaria, que há algum tempo eu resolvi experimentar. Comecei do jeito mais leve pois, se eu não gostasse, não precisaria mais usar. Mas o que eu temia aconteceu. Acabei gostando e fui querendo cada vez mais. Não tinha mais volta. Eu perguntava pras pessoas o que elas usavam, procurando opções. O que era leve não me satisfazia, eu queria sempre mais. Agora não consigo mais parar. É até difícil esperar a próxima vez. Estou usando dinheiro da comida pra comprar. Estou viciada, sou dependente da química. E hoje cheguei ao limite: usei uma cor chamada "vermelho intenso" no meu cabelo. Não paro nunca mais.

11 de novembro de 2010

Deleta logo, p*rra!!!

Se tem uma coisa que eu detesto nas redes sociais é gente que fica "anunciando" que vai excluir/bloquear pessoas. Tenho saco não. E nem tô falando por achar que posso ser deletada ou não (fato para o qual eu tô pouco me lixando). Mas, pra mim, é puro blá blá blá, chato pra caramba. Falta de coragem de assumir seus atos e aquilo que pensa. Pra quê? Pra esperar alguém cair de joelhos e implorando pelamordedeus pra não ser excluído??? Ah, tem dó. É carência demais.  E digo o mesmo de quem fica reclamando do que as pessoas publicam no Twitter, no Orkut ou no FB. Você não gosta do que o fulano escreve na página dele, ou se ele retuita muito, ou se ele passa o dia jogando FarmVille ou Colheita Feliz? Ok, direito seu. Agora quer que eu desenhe um mapinha pro botão Unfollow? Porque, acredite, é mais simples do que parece. E, só pra avisar, existem "botõezinhos" que restringem as ações que aparecem na sua timeline ou mural, como os "aplicativos de quem não tem mais o que fazer" ou "os retuítes de pessoas que, se eu quisesse saber o que dizem, eu seguiria". Ninguém é obrigado a seguir ou ser amigo de ninguém, agora, se quer fazer "pra não ficar chato", então não fica dando "indiretinha", né?! Já deletei tanta gente das minhas redes, sem nunca ficar anunciando, e algumas delas foram excluídas exatamente por este motivo. Anunciou que vai deletar ou reclamou das "besteiras" ou "inutilidades" do que os outros escrevem, OUT! Eu deleto primeiro. Daí sou eu que não preciso ficar lendo choramingo e mimimi. Quer deletar, deleta logo e cala a boca, porra!